segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Entre o cair e o levantar



Tem gente que assiste aqueles vídeos de gente caindo, se machucando, et cætera  e tal. Tem gente que ri com eles. Se não tivesse, o Faustão não passaria essas coisas até hoje. Eu só não entendo o porquê disso. Deveria ser engraçado? Ou eu que não entendo a piada?
Posso estar enganada, mas se não me trai a memória, com as crianças é assim. Se um coleguinha tropeça e cai, é motivo de riso e chacota entre toda a turma. Lembro até que a regra era rir junto, pra que a coisa toda ficasse “menos feia”, ou pra que não fosse tão divertido tirar uma com a cara do coitado. Crianças podem ser cruéis. Todas são em algum momento.
Alguns adultos jamais perdem o sadismo que tiveram na infância. Alguns o substituem por desprezo; outros por indiferença.
Hoje eu estava na fila do caixa eletrônico e uma garota passou apressada, tropeçou, caiu de cara no chão e ficou lá, estendida, imóvel, na frente de todas aquelas pessoas. Pelo menos umas oito, fora as que estavam de passagem por perto. Apenas eu e mais um rapaz fardado (um militar, eu acho) nos preocupamos em ajudar a menina. Perguntei se ela estava bem, se tinha machucado em algum lugar. Ela respondeu que teve uma tontura e caiu. Pareceu-me que ela estava com vergonha, mas eu não tenho certeza. Ela falou com a mãe pelo celular e nos disse que estava tudo bem, que a mãe já vinha buscá-la.
Tantas pessoas riem quando alguém cai. Tantas pessoas ficam só olhando de longe, antes por mera curiosidade que por preocupação. Tantas pessoas julgam com desprezo aquela queda, por acharem que se a pessoa que caiu não fosse tão desastrada, nada disso teria acontecido.
Hoje eu me senti muito orgulhosa de não ser uma dessas pessoas. E muito grata a Deus, por ele me inspirar dessa forma. Sem a inspiração dele, eu seria uma boneca de repetição oca, vazia, me embriagando com uma fantasia de superioridade e correndo desesperadamente atrás de falsas recompensas e objetivos inúteis.

Ainda há pouco, enquanto escrevia o começo deste texto, eu pensava que já faz tanto tempo que eu caí e que ainda estou lá, cheirando o asfalto, esperando que alguém me estenda a mão como eu estendi para aquela menina. Mas neste último parágrafo eu já não penso assim. Só há uma Mão de que preciso. E esta nunca vai me soltar. Obrigada, Senhor.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

TOQUEM O MEU CORAÇÃO!!!!

Uma tragédia silenciosa rasteja e furtivamente se espalha na esfera musical da nova década. Até o ano passado, já era possível sentir sua presença nefasta, mas agora que adentramos nos anos 10, seu hálito pútrido espalha-se e traz essa sensação medonha e desesperadora de completo nada.

Vou ilustrar como me sinto:



A prova maior de que neste momento atravessamos um bloqueio criativo em massa é que a Mtv, o maior canal de música de todos os tempos, agora é um canal de comédia. E ninguém pode culpá-la, eles vão tocar o quê?

Eu sempre amei música, desde muito pequena. Meu pai me mostrava o que havia de melhor na época dele, mas eu nunca tive problemas em transitar entre esses dois mundos: as músicas da geração do meu pai (e até dos meus avôs) e as da minha. Era tanta coisa legal... eu lembro que sempre tinha playlists alucinantes, sempre estava ligada no que ia estourar nas paradas antes mesmo de fazer sucesso. Minha vida toda tinha trilha sonora.

Aí os meus 16 anos passaram... os 17 também... e as coisas foram ficando estranhas.

É claro que nem tudo está perdido. Mas o que eu percebo é um súbito apego das pessoas ao passado. Meu mp4 tem basicamente “músicas que marcaram época”. Se você não concorda com isso, preste atenção na próxima balada que você for e espere até a banda tocar alguma coisa antiga, nem que seja uma música do balão mágico. A galera delira.

E se você não compartilha do mesmo sentimento que provoca tal reação, caro leitor, é porque você:

  • a. Só delira com Hori, Cine, Restart, e os demais coloridos;
  • b. Prefere as 1001 bandas que não vão não, não querem não, não podem não;
  • c. É uma samambaia;
  • d. Torcia pro Coração Gelado contra os Ursinhos Carinhosos.

De qualquer forma, procure um analista.

As músicas não falam mais aos corações. A gente não sente mais vontade de chorar ou de rir descontroladamente, ou de dançar, ou de sair voando ao escutar nada disso que tá tocando por aí. Ninguém mais toca os corações!!! O mais perto disso que se chega é a influencia impressionante que a Shakira exerce sobre os quadris. O melhor cd no mercado atualmente é o do Nando Reis, O Bailão do Ruivão, e só tem flashback.

Estou desesperada. Despertem o repúdio!

RPM - Rádio Pirata